sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Liturgia Distrito Rio de Janeiro - Anexo

Publico também o Anexo aos estudos e o Ofício de encaminhamento enviado às congregações do Distrito Rio de Janeiro. Este último, apenas em arquivo doc.

A LITURGIA COMUM do DRJ - Anexo do Estudo 1
Informações úteis que ajudam a participar do culto luterano.*

1. O espaço: Não precisamos construir catedrais de mármore ou granito. Mas precisamos empenhar-nos por um local para os nossos cultos que transmita algo do amor de nosso Deus, que tanto fez por nós e que deseja acolher-nos na sua comunhão para nos fortalecer. O espaço onde nos reunimos para o culto deve ser acolhedor e, ao mesmo tempo, indicar quem nos acolhe.

2. O crucifixo ou a cruz: em posição central, que atrai o olhar do participante do culto, é um testemunho claro sobre a fé e a doutrina que habitam nesta casa. Na igreja cristã, e por isso na igreja luterana, está em evidência a palavra do apóstolo Paulo de 1 Co 2. 2 “Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo, e este crucificado.”

3. O altar em posição central como o crucifixo, normalmente em um plano elevado, é a mesa onde Jesus Cristo com seu corpo e sangue, sob os elementos visíveis da Santa Ceia, se faz presente para nós. Toalhas limpas, paramentos trabalhados e nas cores litúrgicas, flores e velas querem destacar este lugar onde Deus marca a sua presença real no sacramento e de onde ele nos assegura o perdão dos pecados. Quando encontramos no altar também a Escritura Sagrada, somos lembrados da importância da Palavra de Deus para a fé da sua igreja.

4. Os vasos da Santa Ceia têm o seu lugar no centro da mesa. Na celebração da Santa Ceia são os portadores do corpo e sangue de Cristo e, por isso, merecem todo cuidado. Fora dos momentos da celebração da Santa Ceia, são normalmente cobertos, lembrando que neste tempo e neste mundo conseguimos enxergar a Deus somente de maneira velada e que na celebração da Santa Ceia Jesus Cristo se faz presente para os comungantes, não de maneira racional, mas sacramental. Isto é, de forma misteriosa e milagrosa, mas real.

5. O púlpito fica normalmente também num plano elevado da nave da igreja, e é o lugar da proclamação do Evangelho e da Palavra de Deus pelos ministros chamados e ordenados. Não havendo uma estante própria, também as leituras bíblicas do culto e as mensagens de “culto de leitura” poderão ser feitas do púlpito. Ele é também o lugar próprio para a Bíblia aberta, que de fato é usada no culto e que não serve somente como uma preciosa relíquia.

6. A pia batismal ou batistério, também chamada de fonte batismal é, junto com o altar e o púlpito, o objeto mais importante na igreja. Considerando que o Batismo é um meio da graça, instituído por Deus e que integra as pessoas na família de Deus, a pia batismal e o seu suporte (de preferência fixo) ocuparão um lugar marcante e permanente no templo, servindo-nos também como lembrança constante do nosso batismo, de suas bênçãos e da dinâmica de uma vida santificada.

7. As posições que tomamos durante o culto têm o seu significado:
A congregação rende culto a Deus: em pé - para glorificar a Deus, orar e testemunhar a fé; sentados - para receber a instrução da palavra, meditar sobre ela e aprofundá-la com o nosso cantar;
O oficiante / pastor: ao entrar para o culto pela “nave” da igreja evidencia que é pastor chamado da congregação e que os ministros de Cristo normalmente surgem de dentro do povo de Deus. Na hora da confissão ele ministra no mesmo nível da congregação para lembrar que também é pecador. Nos cantos (no primeiro banco da nave), na adoração e na oração ministra voltado para o altar, na mesma direção como os participantes do culto; ele não “virou as costas” para a comunidade! Esta impressão equivocada pode ser evitada quando o altar fica afastado da parede, que é uma antiga tradição litúrgica, de maneira que o oficiante possa ministrar atrás do altar, nos momentos de adoração, oração e celebração da Santa Ceia.
Quando o pastor está voltado para a congregação, saudando a congregação, oferecendo a Palavra de Deus, celebrando os sacramentos e abençoando a congregação, ele age como substituto de Cristo e em seu lugar (cf. Lc 10.16; Jo 20.21 e Apologia da CA Art. VII e VIII, pg. 182 do Livro de Concórdia).

8. O ajoelhar-se expressa humildade, arrependimento, respeito, adoração, entrega e consagração. É a posição recomendada para a confissão de pecados, para cerimônias de ordenação e instalação de ministros, para bênçãos especiais como confirmação e casamento. Há muitas congregações luteranas onde se recebe a Santa Ceia de joelhos ou onde a congregação se ajoelha na hora da consagração e durante o canto do “Ó cordeiro de Deus”. É recomendado, também, para as orações individuais, antes do culto ou depois da participação da Santa Ceia.

9. Traçar o sinal da cruz sobre pessoas, objetos e elementos é o símbolo da dedicação e consagração a Deus e da bênção do Deus Triúno. Lutero recomenda no catecismo fazer o sinal da cruz no início de nossas orações diárias. O sinal da cruz lembra o nosso batismo quando nos tornamos filhos e filhas de Deus e a nossa união com Cristo, crucificado por nós. Pelos ministros é usado regularmente no batismo, na absolvição, na Santa Ceia e na bênção. Como se faz o sinal da cruz? Quando é cada um sobre si mesmo, é da fronte ao peito, depois do lado direito para o lado esquerdo, podendo a mão pousar por um instante sobre o coração.

10. As Leituras Bíblicas fazem a comunidade ouvir a Palavra de Deus. É o momento de maior dignidade e atenção no culto – como o momento do sermão - quando se evita tudo que possa distrair a concentração dos participantes. Nada é mais importante do que aquilo que Deus nos tem a dizer. A leitura deve ser bem preparada e acontecer de maneira que todos possam entender bem a Palavra do Senhor. Na leitura do texto os leitores devem omitir os títulos escritos pelos editores da Bíblia. O Evangelho normalmente é lido pelo oficiante principal do culto.

11. As vestes litúrgicas: (talar / alba / túnica) que os oficiantes do culto usam, não são obrigatórias, mas têm sua origem no culto do Antigo Testamento e na tradição litúrgica da igreja cristã. Servem para embelezar o culto e tem principalmente a função de encobrir o individuo e o que caracteriza o ser humano(,) para, assim, ressaltar a função sacerdotal do servo de Cristo que administra os meios da salvação.

12. As velas acesas no culto nos lembram que a luz é um símbolo de Deus. Jesus "é a verdadeira luz que, vinda ao mundo, ilumina a todo homem". Jo 1.9; 8.12
Além disso, as velas se consomem pelo fogo. Isso nos lembra de como nosso Salvador se sacrificou para nos redimir e de como nós devemos sacrificar-nos em servir ao nosso próximo. Lembra também que em todo o nosso agir devemos deixar brilhar a nossa luz “para que os outros vejam as coisas boas que vocês fazem e louvem o Pai de vocês, que está no céu.” Mt 5.16. O candelabro também é uma referência ao símbolo das igrejas do livro de Apocalipse (cf. Ap 1.20). O número de velas tem seu significado: uma vela = Deus Uno; duas velas = duas naturezas de Cristo (verdadeiro Deus e verdadeiro homem); três velas = a Trindade; sete velas = é ´número da igreja cristã (Deus – 3 e humanidade – 4).

13. As flores e folhagens na igreja são objetos de decoração. Servem para embelezar a casa de Deus. São uma expressão da beleza e bondade de Deus. Simbolizam também a nossa alegria espiritual, a nossa devoção e gratidão, dedicação e reverência ao nosso Deus e à sua casa. De preferência, devem ser naturais e as cores, na medida do possível, deveriam combinar com a cor litúrgica da época; não devem desviar a atenção ou encobrir os elementos essenciais do altar. Mesmo em ocasiões especiais, como casamento ou confirmação, não se transforma o altar numa "tenda de flores”.

14. Os paramentos (antepêndios) são os panos coloridos que usamos no altar e no púlpito. Convidam-nos a meditar sobre as bênçãos que Deus nos oferece através da palavra e dos sacramentos e nos lembram da nossa missão. Através da sua cor sinalizam a época do ano litúrgico e os seus símbolos transmitem artigos básicos da fé cristã.


15. As principais cores litúrgicas e seu significado e uso:
Branca: Pureza, vitória, alegria, paz, Cristo; a cor é usada nos grandes festas de Cristo: Natal, Epifania, Páscoa, Batismo e Ascensão de Cristo e Trindade;
Vermelha: fogo, fervor, sangue, Espírito Santo; a cor é usada para Pentecoste, festividades da igreja, ordenações , dias de mártires ;
Verde: vida, crescimento, natureza, criação, Deus Criador; a cor é usada nos domingos que enfatizam a ação e o crescimento da igreja (especialmente nos períodos após / de Pentecostes e Epifania).
Roxa ou violeta: humilhação, penitência e arrependimento; a cor é usada na Quaresma, é uma alternativa também para a época de Advento.
Azul: céu, esperança; a cor é usada da época de Advento. Quando a ênfase está na penitência e o arrependimento costuma-se usar a cora roxa.
Preta: ausência de cor, humilhação, tristeza, luto; a cor é usada na Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa.
16. A liturgia do Culto Luterano sugere que todos participem dele do início até o fim.

*Para uso interno no DRJ.

Para a composição deste anexo foram usadas varias fontes da Literatura e de Manuais sobre o Culto Luterano em Português e Alemão. Principais autores: David Karnopp; Friedrich Kalb; Gert Kelter; Oscar Lehenbauer; Ralph Bente.

K. H. G. Auel.

Anexo estudo 1
Ofício