sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Liturgia Distrito Rio de Janeiro - Estudo 2

Aqui o segundo estudo sobre a Liturgia.
No fim do post veja o link para arquivo .doc.

A Liturgia Comum do Distrito Rio de Janeiro

2º Estudo: A Liturgia Passo a Passo: I. Preparação e II. Adoração *
(A numeração seguinte se refere à numeração da Liturgia Comum.)

O nosso culto comunitário ganha em qualidade quando começamos o nosso culto individual ao entrar no ambiente do culto. As conversas que refletem o nosso dia a dia deveriam cessar. O cumprimento a demais participantes do culto dentro da igreja será bem discreto. Vamos aproveitar o tempo para nos conscientizar e nos concentrar para este encontro mais importante da semana com o nosso Deus e dar oportunidade para que os outros também possam fazer isto. A oração e a preparação de nossas “ferramentas” no culto como a Bíblia, Hinário e Ordem litúrgica nos ajudam para isto. Pedidos de oração especial, se não foram encaminhados antes, poderiam ser entregues ao pastor, que no seu gabinete ou na sacristia também está se preparando para o culto.
Recepcionistas dão as boas vindas na porta da igreja aos participantes do culto, instruindo e encaminhando especialmente os visitantes.
Faz parte do zelo cristão e de uma boa educação, procurar chegar a tempo para, com toda calma, poder preparar-se e participar de todo o culto.

1. Acolhida:
A acolhida, que pode ser feita antes ou depois da entrada do pastor, é uma saudação informal e breve que sinaliza o início do culto comunitário. Pode-se anunciar o tema ou assunto do culto, algum evento especial como batismo ou profissão de fé, alguma pessoa de destaque presente ou o pregador convidado. É o momento também de anunciar algum detalhe diferente da liturgia e de convidar para entoar o primeiro hino. É uma boa oportunidade para algum membro da comunidade participar e fazer esta acolhida.


I. PREPARAÇÃO
2. Hino: Faz parte da nossa preparação para o culto do dia; quer conduzir-nos para o encontro comunitário com nosso Deus e Salvador.

3. Invocação: A congregação fica em pé, pois pela invocação confessamos o nome do Deus Triúno em cujo nome estamos reunidos. Desejamos e temos certeza da sua presença. Poderá se fazer o sinal da cruz lembrando e confessando que desde o dia de nosso batismo pertencemos a Ele, contando com o seu amor. Enquanto a invocação é entoada ou falada pelo pastor, a congregação a confirma com o AMÉM.


4. Alocução Confessional: O objetivo de uma breve e opcional mensagem neste momento é aguçar a nossa consciência e apontar para o perdão que Deus, pela absolvição e os sacramentos, realmente alcança ao pecador arrependido. Esta alocução, bem como a confissão que segue, nos quer lembrar de que, por causa do nosso pecado, não podemos subsistir na presença do Santo Deus.

5.a Confissão: O oficiante permanece na nave da igreja, expressando assim, que ele também é um pecador que necessita tanto da confissão como da absolvição. O responsório que inicia a confissão comunitária (1 Jo 1.8,9)é um resumo da mensagem principal da alocução confessional. Quando esta não acontece, sugere-se um momento de silêncio para possibilitar um auto-exame, que visa evitar que percamos a noção real do alcance da nossa pecaminosidade.
O ajoelhar-se neste momento expressa concretamente a indignidade que sentimos na presença de Deus (Lc 5.8 etc.).

5.b Absolvição: É o ato de perdoar ou isentar de acusação, crime ou pena, enfim, do pecado, aquele que arrependido confessou os seus pecados. Deus confiou aos ministros da sua igreja o exercício público deste poder (Jo. 20.22,23 etc.), graças ao sacrifício de Cristo pelos nossos pecados. O cristão confia neste perdão real podendo fazer também o sinal da cruz, e afirma a sua certeza do perdão com o “Amém” em voz alta.
Pelo responsório que segue expressamos a nossa gratidão pelo perdão e iniciamos o nosso louvor e adoração a Deus, o qual nos habilitou a chegarmos a sua presença.

II. ADORAÇÃO

6. Salmo do dia / Introito: Expressamos a comunhão dos santos de todos os tempos, que não cessam de adorar a Deus, quando iniciamos a nossa adoração com palavras do hinário do Antigo Testamento, o livro de Salmos. De acordo com o conteúdo deste hino de entrada (introito) o oficiante assume a mesma posição da comunidade, direcionada para o altar. De acordo com tradições do culto do Antigo Testamento os versículos do salmo são lidos de maneira alternada ou responsiva entre o oficiante e a congregação ou, melhor ainda, entre duas partes da congregação. A divisão é feita entre os versículos (preferencialmente) ou entre a primeira e segunda frase do versículo, de acordo com o texto de cada salmo.
Como o Salmo de entrada faz parte da nossa adoração e não é uma primeira leitura bíblica, devemos omitir a leitura de versículos em que haja pedidos de vingança (etc.) que não mais fazem parte do culto da era cristã.

7. Glória ao Deus Triúno: Com o nosso canto enfatizamos a nossa adoração ao Deus verdadeiro e único que, desde os tempos da Antiga Aliança até toda a eternidade, manifesta o seu amor e a sua compaixão para com o ser humano e toda a criatura.

8. Senhor tem piedade (Kyrie): Com as palavras “Kyrie eleison”, na época da igreja primitiva, os povos aclamavam com entusiasmo a chegada do imperador. Estas mesmas palavras foram usadas no culto pelos cristãos da época para aclamar a Cristo, o verdadeiro Senhor do Universo e da igreja. Assim o nosso canto: “Senhor, tem piedade de nós” não é uma volta à confissão dos pecados, mas é a aclamação festiva do Rei e Salvador Jesus Cristo, presente no meio de seu povo. Corresponde à palavra hebraica “Hosana” com que o povo de Jerusalém recebeu Jesus. Por isso, com alegria entoamos estas palavras de aclamação e expressamos a nossa fé e confiança de que Jesus Cristo é o nosso Rei, para o nosso bem. Assim, manifestamos também a certeza de que o Senhor ouvirá as orações e intercessões que levarmos a Ele durante o nosso culto.

9. Hino de Louvor (Gloria in Excelsis): Este hino de louvor (Glória nas alturas) é o ponto alto da nossa adoração. Também devia ser cantado em pé. Lembra originalmente o canto dos anjos nos campos de Belém, glorificando a Deus por ter enviado o Salvador para assegurar a paz às pessoas. Enaltece a Deus que cumpriu a sua promessa e, na pessoa de Jesus, se tornou “o Emanuel”, o Deus conosco. Na Liturgia Comum proposta não incluímos o “Gloria in Excelsis” das Ordens de Culto do Hinário, que é uma tradução do texto antigo em Latim, pelas dificuldades que a melodia e algumas palavras oferecem. Sugerimos que seja escolhido outro canto apropriado que a congregação saiba e goste de cantar com alegria. Quando se optar pelo hino nº 231 do HL, “Louvor e glória ao grande Deus”, que é o “Gloria in Excelsis” em forma de hino, sugerimos que se cante todas as estrofes.
Com este canto de adoração concluímos a parte inicial da liturgia do nosso culto. Temos a certeza da “incrível” presença de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo em nosso meio e aguardamos o seu agir para conosco por meio da Palavra e dos Sacramentos.


K. Hermann G. Auel, pastor emérito.

* Para uso interno do DRJ da IELB.
Para a elaboração deste estudo foram usadas várias fontes da Literatura e Manuais sobre o Culto Luterano: Principais autores: David Karnopp, Friedrich Kalb, Gert Kelter, Oscar Lehenbauer, Ralph Bente.

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