sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Liturgia Distrito Rio de Janeiro - Estudo 3

Aqui o terceiro estudo sobre a Liturgia.
No fim do post veja o link para arquivo .doc.

A Liturgia Comum do Distrito Rio de Janeiro

3º Estudo: A Liturgia Passo a Passo: III. Ofício da Palavra *
(A numeração seguinte se refere à numeração da ordem litúrgica.)

Apresentamos estes estudos em partes por motivos de ordem didática, lembrando que o culto luterano é uma unidade que sugere a participação do início até o fim.

10. Saudação: Neste momento o ministro saúda a congregação reunida, a exemplo de saudações bíblicas que são manifestações da proclamação autorizada da salvação (Rm 1.7b etc.; Mt 10.12-13; Jo 20.19.21.26). A nova forma da resposta da congregação na Liturgia Comum não muda o conteúdo. As expressões “minha alma” ou “meu espírito” no pensamento bíblico, principalmente no Antigo Testamento, normalmente são referências à própria pessoa. Esta saudação, que encontramos novamente no início da celebração da Santa Ceia, renova os laços da fé e os propósitos comuns dos celebrantes do culto.

11. Oração do dia: O convite do oficiante: “Oremos” convida toda a congregação para a oração. Seria conveniente deixar de fato alguns instantes para cada participante do culto dirigir sua oração a Deus, pois a oração que segue, chamada também de “coleta”, historicamente, era o resumo e a conclusão do orar da congregação. Provavelmente foi o abuso ou mau uso da oração em voz alta, por participantes do culto, que limitou este momento de oração a uma oração resumida e bem estruturada do oficiante.
A introdução e a formulação do pedido recebem o seu caráter do assunto do culto do dia e a conclusão normalmente lembra que oramos por meio de Jesus Cristo.
Com o “Amém”, palavra que lembra as raízes hebraicas do nosso culto e que é uma afirmação daquilo que foi dito, a congregação expressa a sua concordância com a oração e manifesta sua fé de que, por meio de Jesus Cristo, a nossa oração é ouvida e atendida por Deus.


12. Primeira Leitura: A primeira e segunda leitura são momentos em que o sacerdócio real de todos os cristãos pode ser evidenciado no culto, através do convite a membros da congregação para fazerem estas leituras bíblicas. Mas não se deve descuidar do principal objetivo deste momento, que é o proclamar e o ouvir a Palavra de Deus, registrada na Escritura Sagrada, de maneira que os participantes do culto possam entendê-la. O convite para ser leitor não é oportunidade de “homenagear” membros ou visitantes. A leitura exige sempre uma boa preparação, para que de fato seja ouvida a Palavra do Senhor.
Aconselhamos o oficiante a anunciar o texto para que depois seja feita a leitura pelo leitor anteriormente escolhido e que se preparou. Observa-se que os títulos dos textos bíblicos não são lidos, pois não fazem parte do texto sagrado.
A escolha dos textos das séries de leituras bíblicas, que se repetem de três em três anos (série trienal) foram feitas de maneira que, anualmente, se lê e ouve em nossos cultos os principais textos de toda Bíblia, os quais revelam a obra da salvação e nos quais se baseia a fé cristã.
Na hora das leituras bíblicas do culto regular não se costuma acrescentar comentários ou explicações. É hora de todos ouvirem o que “está escrito”. O sermão é o momento em que a Palavra de Deus é explicada e aplicada de maneira concreta à congregação reunida.
Na primeira leitura bíblica ouvimos principalmente textos do Antigo Testamento e na época da Páscoa alguns textos de Atos dos Apóstolos. A leitura termina com o voto do oficiante que lembra a importância de toda a Palavra de Deus para o ser humano (Dt 8.3 etc.).


13. A Segunda Leitura traz principalmente textos das epístolas e alguns textos de Atos dos Apóstolos e de Apocalipse. A leitura termina com o voto do oficiante lembrando que o Senhor Jesus chama de “felizes para sempre” os que ouvem a Palavra de Deus e a praticam em sua vida diária (Lc 11.28).
A congregação manifesta a sua resposta às leituras bíblicas entoando o “Aleluia” tríplice e na época da Quaresma o “Amém”.

14. Hino: O texto deste hino (do dia) ou louvor quer ajudar a refletir sobre as duas leituras bíblicas e /ou conduzir a leitura do Evangelho. É um momento muito apropriado para o canto do coral ou de grupos da congregação, observando que contribua para enfatizar a temática do culto ou das leituras, pelo menos que não desvie a atenção.

15. A Leitura do Evangelho: Nos quatro Evangelhos encontramos as palavras e obras, a vida e a paixão, a morte e a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo relatadas pelos evangelistas. São textos de destaque no conjunto da Bíblia. Na leitura do Evangelho presenciamos o próprio Senhor Jesus Cristo falando a nós e se dando a nós. Por esta razão esta leitura também recebe destaque no culto:
a) É o pastor que anuncia e que faz a leitura, porque é o próprio de seu ofício;
b) a congregação se levanta já antes do anúncio da leitura;
c) O voto final lembra o poder de Deus que age por meio do
Evangelho;
d) antes e depois da leitura todos aclamam com júbilo o nosso Senhor que fala a nós por meio do Santo Evangelho;

16. A Confissão de Fé, que a nossa Liturgia Comum sugere neste momento de culto, é a profissão pública da fé cristã. Não é propriamente dita a reação e a resposta de fé da congregação reunida à Palavra que foi ouvida, pois o sermão com a sua aplicação específica da Palavra ainda não aconteceu. Usamos nesta Confissão de Fé o texto do Credo Apostólico ou também os textos dos demais Credos Ecumênicos (Credo Niceno e Credo Atanasiano) como testemunhos “da unidade, universalidade, perpetuidade e atualidade da fé cristã no Deus Triúno e tudo o que ele nos deu e ensinou” (O. Lehenbauer, Igreja Luterana, Vl 51 pg. 60). Lembrando este aspecto, recomenda-se muito cuidado na substituição dos credos ecumênicos por textos particulares.
Na Igreja antiga havia o costume de confessar a fé imediatamente antes da celebração da Santa Ceia indicando assim que somente os que compartilhavam esta fé também poderiam participar da Santa Ceia.


17. Hino: A função deste hino ou canto é de preparar para o sermão ou a mensagem do dia, suplicando que o Espírito Santo conceda um abençoado falar, ouvir e compreender. Este cantar deveria promover a disposição de ouvir o que naquele dia o Senhor nos quer dizer.


18. Mensagem / Sermão: Estamos no ponto alto do Ofício da Palavra e num dos pontos altos do nosso culto. É neste momento que o ministro chamado e ordenado, o cura de almas da congregação, transmite a voz viva do Evangelho hoje. O sermão, pelo poder da Palavra de Deus anunciada, não quer somente informar, mas operar aquilo para que Deus envia a sua Palavra (Is 55.11).
Faz parte do sermão, que tem como objetivo proclamar o Evangelho, a proclamação da lei e da vontade imutável de Deus bem como a proclamação da graça e da misericórdia de Deus. Lei e Evangelho deverão ser anunciados na sua correta distinção, para criar e alimentar a fé salvadora que nos capacita a viver como filhos de Deus neste mundo e que nos prepara para a vida que há de vir.
O sermão não é lugar para divagações diversas, mas é o lugar de transmitir a Palavra de Deus de acordo com os textos do dia e da temática do culto e aplicá-la de acordo com os ouvintes e o seu contexto atual. Somente em momentos bem excepcionais a temática do culto e do sermão será determinada por fatores externos, que não sejam as leituras bíblicas de acordo com o calendário litúrgico da igreja. Convém que toda a congregação pronuncie junto com o pregador o “Amém” final da mensagem.

19. Hino: O hino que a congregação vai entoar neste momento dará oportunidade para uma resposta/reação à mensagem ouvida. Pode ser também um resumo da mensagem ou um texto que vai aprofundar o assunto do dia. Poderá ser também um “fundo musical” que convida para meditação e a oração individual.


20. Avisos Congregacionais e de Oração: O culto comunitário é o encontro semanal da família da fé em determinado lugar e contexto. É apropriado que os assuntos que interessam a todos sejam transmitidos de forma bem objetiva dentro do próprio Culto, pois muitos destes assuntos serão lembrados também na Oração Geral da Igreja. Também são mencionados neste momento os motivos especiais para o nosso orar e as nossas intercessões de gratidão e de súplica. Convém cuidar para que não sobrecarreguemos a Oração Geral do culto com detalhes egocêntricos que não se relacionam diretamente com a vida e responsabilidade comunitária da igreja.

21. Oração Geral: é chamada também de Oração da Igreja, pois por meio dela a igreja exerce de maneira especial suas funções como sacerdócio real. Convém realizar esta oração de maneira bem participativa. Nesta oração não deveria faltar: 1º a intercessão pela igreja, sua expansão e conservação; por seus ministros, líderes, missionários e pelos assuntos da própria congregação. 2º a intercessão pelo mundo e sua conservação; pelos governos constituídos; pelo estabelecimento e conservação da boa ordem e da paz. 3º a intercessão pelas pessoas em suas mais diversas necessidades, incluindo os perseguidos por causa da sua fé. E, finalmente, a oração em favor de um fim bem-aventurado.

22 Ofertas: É mais um momento em que respondemos ao agir de Deus, por meio de sua Palavra, em nossa vida. É uma expressão da nossa fé em Deus que em nossa vida diária nos abençoou com muitas bênçãos materiais, as quais queremos: (a) compartilhar com irmãos necessitados e b) colocar à disposição de Deus para a edificação (orçamento) e para a expansão (missão) da Igreja de Cristo.
Ao entregarmos a nossa oferta no altar ou perto do altar, o que é preferível ao recolhimento em pratos abertos, cantando o hino: “Com gratidão, Senhor”, expressamos que também a oferta faz parte do nosso culto e damos um sinal claro de que compreendemos toda a nossa vida como um servir a Deus.
Há indícios de que este ofertar antes da celebração da Santa Ceia já fazia parte do culto da igreja primitiva. Dos alimentos ofertados para compartilhar com os pobres da congregação, o ministro separava pão e vinho para celebrar a Santa Ceia.

K. Hermann G. Auel, pastor emérito.

* Para uso interno do DRJ da IELB.
Para a elaboração deste estudo foram usadas várias fontes da Literatura e Manuais sobre o Culto Luterano: Principais autores: David Karnopp, Friedrich Kalb, Gert Kelter, Oscar Lehenbauer, Ralph Bente.

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