sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Liturgia Distrito Rio de Janeiro - Estudo 4

Aqui o quarto e último estudo sobre a Liturgia.
No fim do post veja o link para arquivo .doc.

A Liturgia Comum do Distrito Rio de Janeiro

4º Estudo*: A Liturgia Passo a Passo:
IV. Ofício da Santa Ceia e V. Despedida
(A numeração seguinte se refere à numeração da ordem litúrgica)

23. Ofertório: Escolhemos este canto, que costumamos chamar de “Ofertório” como hino de preparação para a celebração da Santa Ceia. Necessitamos de maneira especial da ação do Espírito Santo para fortalecer a nossa fé e nos preparar para este encontro com o nosso Salvador, que se dá a nós por meio do sacramento do Altar. Depois de o oficiante preparar os utensílios da Santa Ceia, ele saúda novamente a congregação marcando este novo ponto alto do Culto, quando Deus quer nos servir por meio da dádiva da Santa Ceia.

24. Prefácio e Santo: O “Prefácio” e o “Santo” são possivelmente os cânticos mais antigos usados na liturgia da Santa Ceia. O Prefácio consiste de três partes: um Convite, uma Ação de Graças e um ato de Adoração que culmina com o canto do “Santo”. Com o convite: “Levantem os seus corações” somos lembrados que pela participação do culto ao Deus Triúno, que tem a sua imagem perfeita na adoração eterna e celestial, os nossos corações, isto é o nosso corpo e a nossa alma não podem ficar apegados às coisas passageiras deste mundo passageiro. Pela fé nos entregamos ao Senhor e damos graças por todas as bênçãos recebidas, enaltecendo o seu glorioso nome, aguardando assim, com grande expectativa, o culto eterno e celestial. Principalmente damos graças a Deus (eucaristia) pela salvação recebida, por meio do sacrifício de Jesus Cristo na cruz, que celebramos na Santa Ceia até Jesus voltar.
O “Santo, Santo, Santo” é o canto dos anjos que o profeta Isaías presenciou da liturgia celestial (Is 6.3) e que já fazia parte do Culto do templo em Jerusalém e na sinagoga. Este canto é combinado com a aclamação de Jesus em Jerusalém (Mt 21.9; Sl 118.25.26) e nos lembra de que na Santa Ceia estamos na presença do Eterno Deus que, na pessoa de nosso Senhor Jesus Cristo, o Ressuscitado, vem ao nosso encontro.

25. Pai Nosso: Haveria melhor oração a ser pronunciada neste momento do que aquela que o Senhor Jesus Cristo mesmo ensinou? É a oração que abrange céu e terra e cada um de nós em todas as suas necessidades. É a oração da mesa pela qual suplicamos “pão, perdão e libertação” inclusive o “pão celestial que Jesus prometeu dar pela vida do mundo” (cf. Jo 6. 51).
26. Consagração: O pastor chamado e ordenado para este ministério pronuncia as palavras da instituição da Santa Ceia assim como o apóstolo Paulo as recebeu do Senhor e como as transmitiu à igreja (1 Co 11.23-25).
A consagração é o ato pelo qual o pão e o vinho, que foram preparados e que estão no altar, por meio das palavras da instituição se tornam portadores do corpo e do sangue de Cristo “por nós”. Isto é e permanece sendo um milagre; certamente o maior milagre que possamos experimentar neste mundo: a partir da consagração podemos ter a certeza da presença real do corpo e do sangue de Cristo nos elementos que serão distribuídos.
Como as Palavras próprias de Cristo da Instituição, que o ministro pronuncia em seu nome, são decisivas para operar este milagre, elas são pronunciadas de maneira que todos possam entendê-las, pois não são palavras mágicas, mas um breve sumário de todo o evangelho.
Quando o ministro depois da consagração eleva a pátena com as hóstias e o cálice com o vinho ele não convida para a adoração dos elementos e muito menos quer oferecê-los para Deus, como se fossem um sacrifício. Este gesto quer lembrar que Jesus deu o seu corpo e seu sangue por nós e ele nos convida para recebermos este dom da salvação na Santa Ceia para o perdão dos nossos pecados, para o fortalecimento da nossa fé e para fortalecer a nossa comunhão com ele e com os irmãos.

27. Paz do Senhor: Jesus Cristo selou a paz entre Deus e os homens sacrificando o seu corpo e derramando o seu sangue na cruz. Ao celebrarmos a Santa Ceia Deus quer nos assegurar novamente esta paz por meio dos seus ministros (Jo 20.21). Esta mesma paz a congregação reunida deseja também ao seu pastor e os que receberam esta paz querem compartilhá-la com o seu semelhante.
O uso do “ósculo santo” ou “beijo de irmão”( NTLH cf. Rm 16.16 e 1 Co 16.20) fazia parte de liturgias da igreja dos primeiros séculos da era cristã. Com o nosso aperto de mão ou abraço, da mesma forma, podemos hoje expressar e reafirmar a paz e a comunhão que Jesus Cristo nos conquistou e nos concede na Santa Ceia. Cada participante do culto poderá cumprimentar assim as pessoas ao redor, desejando: “A paz do Senhor esteja com você”.
Para pessoas visitantes, que ainda não são membros da igreja poderemos dizer: “Venha integrar-se nesta comunhão também, para que possa ter certeza desta paz!” O pastor cumprimenta eventuais auxiliares do culto que estão próximos, pessoas nos primeiros bancos e eventualmente pessoas com necessidades especiais. Esta saudação na Paz do Senhor expressa também que nada impede a nossa plena comunhão e paz com Cristo e com os irmãos.
Deve-se cuidar para que neste momento alegre de compartilhar a Paz concedida não se perca de vista o Senhor da Paz, presente em nosso meio, e que espera e merece toda a nossa atenção, o qual quer nos saciar com o seu corpo e sangue para que tenhamos eterna paz.

28. Cordeiro de Deus: Propomos uma outra versão do texto que é uma tradução melhor do Grego e do Latim (Jo 1.29), por oferecer mais clareza e ter mais sonoridade ao ser cantado.
Este canto de aclamação e adoração a Cristo, que tem sua base no evangelho, recorda também a mensagem profética de Isaías 53, que em Jesus Cristo se cumpriu. Ao mesmo tempo aponta para as referências a Cristo como o Cordeiro vencedor nas liturgias que o livro Apocalipse revela (Ap 5.6 etc.) Durante o canto todos os participantes do culto estão novamente voltados para o Altar.

29. Distribuição: Celebramos a Santa Ceia para lembrar o que Cristo fez por nós, mas principalmente para distribuir e receber o corpo e o sangue de Cristo que ele oferece para assegurar-nos perdão, vida e salvação. Assim com a fé que se apega às Palavras de Cristo e com alegria distribuímos e recebemos estas dádivas maravilhosas.
O ensino do apóstolo Paulo sobre a Santa Ceia (1 Co 10. 16,17; 11. 17 – 32) é bem claro no sentido de que a participação deste sacramento exige fé verdadeira nas Palavras de Cristo, ligadas à Santa Ceia. Também não resta nenhuma dúvida de que, desde a primeira celebração no cenáculo em Jerusalém, esta celebração pressupõe fé verdadeira e comunhão com o próprio Salvador e comunhão com os irmãos nesta mesma fé, que toda a liturgia expressa. Por isso, na igreja luterana, assim como foi a regra na igreja cristã por muitos séculos, distribuímos a Santa Ceia apenas a cristãos que receberam a necessária instrução sobre a fé cristã e especificamente sobre a Santa Ceia e que estão em comunhão com a nossa igreja. Este cuidado devemos ao Senhor Jesus Cristo que incumbiu a sua igreja de administrar os meios da graça e de cuidar para ninguém “comer e beber para o seu próprio castigo” (1 Co 11. 29).
A distribuição pode acontecer de várias formas: formando grupos em torno do altar; em fila contínua; em pé ou ajoelhado. Importante é que os comungantes, ao receberem os elementos abençoados possam ouvir as palavras que não deixam nenhuma dúvida de que estão recebendo o corpo e o sangue de Cristo. O fundo musical ou o canto durante a distribuição tem um caráter meditativo. Não deve dificultar a comunicação no altar, mas favorecer a meditação, a alegria e o agradecimento em relação às dádivas da Santa Ceia.
Os utensílios da Santa Ceia merecem antes, durante e depois do seu uso todo o cuidado bem assim como as hóstias e o vinho que restaram.

V. Despedida

30. Despede-nos, Senhor: este canto entoamos depois que o oficiante cobriu novamente os utensílios (vasos) da Santa Ceia. Em verdade é o canto que Simeão entoou (Lc 2. 25-32) depois de segurar o menino Jesus, em seus braços. É um canto muito belo e apropriado neste momento por relacionar a Santa Ceia com a encarnação de Jesus. Ele expressa “plenitude de satisfação e realização espiritual pelo recebimento individual e pessoal das promessas de Deus” (O. Lehenbauer, pg. 94), testemunhando também Cristo como Salvador de todos os povos. Inclinamos a nossa cabeça e adoramos o Deus Triúno: “Glória ao Pai, e ao Filho e ao Espírito Santo...”

31. Ação de Graças: Iniciamos a Ação de Graças com o responsório (1 Co 11. 26). Ele nos lembra de uma das finalidades da celebração da Santa Ceia e aponta para o Cristo ressuscitado que voltará para reunir todos os salvos no banquete celestial. Até lá, a Igreja de Cristo sempre de novo vai se reunir em torno da Santa Ceia.
A oração de agradecimento é breve para não perdermos o impacto do agir de Deus, expressando em pensamentos essenciais a nossa resposta: Agradecemos por este presente todo especial e tão palpável que recebemos e que nos assegura a salvação conquistada graças ao sacrifício de Cristo. Pedimos o fortalecimento desta fé e desta comunhão com Cristo e com os irmãos que nos foram concedidas, para que possamos compartilhar o amor recebido, pois é assim que o nosso culto a Deus vai continuar durante a semana.

32. Bênção: A bênção araônica (Nm 6.22-27) e a bênção de Jesus, erguendo as suas mãos (Lc 24. 50), quando ele deixou de estar presente fisicamente entre os seus discípulos, motivaram os pais da igreja luterana (de) a usar normalmente esta forma de bênção no final do culto. Ela não é somente um desejo, mas é um ato sacramental, isto é o pronunciar da Palavra atuante de Deus. Através de seus ministros Deus assegura a sua presença e orientação, a sua proteção e os seus cuidados ao seu povo que buscou a sua presença no culto e também a cada integrante deste povo, que agora volta para a sua vida diária. Muitos cristãos, no momento da bênção abrem as suas mãos como sinal de querer receber esta bênção e fazem também o sinal da cruz para reafirmar sua fidelidade a Cristo.

33. Hino Final: Em verdade a liturgia do culto dominical já terminou com a bênção e o canto do “Amém”. “Deus falou e está falado”, como a LLLB afirmou no seu último Congresso. A função deste hino seria então reforçar o “Amém” ou focalizar uma tarefa especial que a mensagem principal do culto nos sugeriu. Convém um cantar não demorado, de preferência em pé.


K. Hermann G. Auel, pastor emérito.

* Para uso interno do DRJ da IELB.
Para a elaboração deste estudo foram usadas várias fontes da Literatura e Manuais sobre o Culto Luterano: Principais autores: David Karnopp, Friedrich Kalb, Gert Kelter, Oscar Lehenbauer, Ralph Bente.

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